quinta-feira, 30 de junho de 2011

Aborto e Células Tronco

Bom, minha intenção aqui vai ser apresentar uma discussão de temas polêmicos. E espero ver a participação de meus leitores. Expressando sua opinião, seja concordando ou não com cada parte do que se segue.


    Aborto.



 Uma das questões que está frenquentemente na mídia é a da legalização do aborto. Uns dizem ser anti-ético, por acabar com a vida de um ser humano. Outros, por questões religiosas. Minha sincera opinião, deveria sim ser legalizado. Por uma série de motivos. A começar com um fato. Ser ilegal não impede ninguém que realmente queira abortar de realizar tal ato. Apenas dificulta. Pois procurando um pouco, vê-se que há dezenas, ou centenas de clínicas ilegais de aborto espalhadas pelo país.
  

Um caso me intriga. O de um PEIXEIRO, sim, um homem sem menor conhecimento médico e sem qualquer outro tipo de preparação, que realizava abortos ilegais. Inicialmente, Leno cobrava R$ 300,00 para realizar o serviço. Por aí já se pode ter uma noção da falta de preparo, pois clínicas no mundo que realizam legalmente o aborto cobram, em média, R$ 1500,00. Leno se passava por enfermeiro para ganhar a confiança de suas clientes, e seguindo relato do próprio, não se preocupava nem em saber o nome de suas "pacientes". Outra declaração do Peixeiro é que o preço variava depois de um tempo que ele começou a realizar a prática. Isso porque passou a cobrar de acordo com a cara da cliente. "Vareia, vareia, depende da situação". Em entrevista, Leno não comentou seus métodos, mas afirma que realizava os abortos clandestinos.




Leno, o Peixeiro.
  Um dos riscos da "cirurgia" clandestina é o fato da morte da mãe. Não as culpo por quererem abortar e morrerem, não mesmo. Apenas recorreram ao único método acessível, e acaba que este não é nem um pouco confiável. Durante o aborto, a mulher porde sofrer com infecções, já que os aparelhos utilizados não são corretamente higienizados. Outro problema que pode ocorrer é a mulher ter uma hemorragia.


  Creio que, com a legalização, com o serviço passando a ser fornecido pelo SUS e por clínicas particulares especializadas, diminuiría radicalmente o número de pré-mães mortas durantes o procedimento em clínicas clandestinas, crianças jogadas na lata de lixo, crianças maltratadas porque seus "pais" não as queriam.. entre outros. Ao comentar sobre isso em um grupo de amigos, ouvi a seguinte frase: "Mas a criança não tem culpa! Ela não pediu para existir!". Correto. De fato não pediu. Mas melhor ser abortada antes de vir ao mundo do que nascer e ser maltrada, ou morrer de frio ou de fome ao ser abandonada.


Jandira Feghali.
 Lembro-me bem da disputa para o senado há algumas eleições. Várias pessoas começaram a ficar desesperadas quando a candidata Jandira Feghali estava ganhando, já que uma de suas propostas de campanha era a luta pela legalização do aborto. Na época, ainda pequeno, era totalmente contra, mas estava apenas seguindo meus pais e o restante da família. Hoje, pensando por contra própria, nao vejo nada além de um bem.



Curiosidade: O primeiro país a legalizar o aborto foi a União Soviética, em 1920. E 91 anos depois a polêmica ainda está de pé na nossa "Pátria Amada, Brasil!", e em muitos outros países.




 Células Tronco.



 O tema células tronco se tornou, nos últimos anos, muito freqüente na mídia e tem sido motivo de debates acalorados no meio acadêmico e entre o público em geral. Isto se deve à promessa que tem sido divulgada de que estas células poderiam ser utilizadas para tratar doenças que são consideradas incuráveis ou doenças crônicas e degenerativas, para as quais no momento não temos como tratar com os métodos convencionais disponíveis.


A discussão que aqui pende é a de acabar com uma vida para tentar ajudar outra. Os alvos principais da terapia com células tronco são as pessoas que sofreram lesões, e por esse motivo ficaram tetra ou paraplérgicas (por exemplo). A terapia, nesses casos, levaria a reconstrução das células nervosas. Ou seja, o paciente seria capaz de recuperar parte de seus movimentos.


O que comentei a respeito do aborto ser favorável nessas situações é que, se alguma mulher resolve fazer aborto, e com acompanhamento médico especializado, o feto não seria "jogado fora", mas aproveitado nos estudos com células tronco. O que seria um grande avanço para a área, tendo em vista que uma das coisas que impede um maior progresso é, sem dúvida, a questão ética. Se os fetos utilizados fossem doados por pessoas que legalmente os retiraram, essa questão seria amenizada, pois nao estariam usando de um método que pudesse ser questionável.
 
Aparece aqui, também, a questão religiosa, que entra mais uma vez como obstáculo. Pois há grupos que defendem com unhas e dentes que não é essa a vontade de Deus. Acho besteira, mas, cada um com sua opinião. Esse é um dos três pontos que uma vez ouvi que não se deve discutir nunca. Mas, vamos focar um pouco!


Afinal, o que são células tronco?  São células auto-renováveis, isto quer dizer que elas se multiplicam mantendo as características originais, o que nos permite gerar, a partir de um pequeno número de células, todas as células que seriam necessárias para um ou múltiplos tratamentos. Uma outra característica importante é o fato de que, sob determinadas condições, elas podem se diferenciar e dar origem a todos os tipos celulares que compõe o organismo (elas são pluripotentes). Resumindo, a partir de um pequeno número de células tronco poderíamos gerar qualquer outra célula que fosse necessária para tratar qualquer tecido doente em quantidades teoricamente ilimitadas.


As células tronco podem tornar-se qualquer célula do corpo.

Como funciona o processo?  Tal como eu disse anteriormente, o grande problema são as questões éticas e legais. Questões estas que têm sido levantadas em relação aos estudos envolvendo esse tipo específico de células. Estas células estão presentes nos estágios mais iniciais do desenvolvimento do embrião (estágio de blastocisto, 8 a 10 dias após a fecundação, antes da implantação no útero). Para obter estas células, os cientistas têm utilizado embriões descartados (por serem mal formados, ou sobressalentes), em processos de fertilização in vitro.



Quais os problemas? No momento, há ainda uma série de fatores relativos à segurança destas células que impedem que se iniciem os estudos em pacientes. Por exemplo, para cultivar estas células , expandi-las e diferenciá-las são usados meios de cultura e reagentes de origem animal. Considera-se que o contato destas células com estes produtos podem fazer com que elas carreguem para o indivíduo produtos de origem animal e causar efeitos colaterais. É necessário então desenvolver protocolos de cultura que substituam estes produtos por reagentes seguros para os pacientes que vierem a receber estas células. Um outro problema que ainda não foi resolvido é que a capacidade de auto-regeneração e a pluripotencialidade destas células fazem com que elas possam vir a formar tumores ao serem introduzidas no organismo do paciente.Lembro-me até da professora Etel comentando sobre essa questão dos tumores da aula de genética.


Células Tronco Embrionárias.

Qual uma possível solução? Uma alternativa ao uso de células tronco embrionárias tem sido a utilização das células tronco adultas. Estas apresentam características diferentes das embrionárias e são obtidas a partir de tecidos adultos como a medula óssea, o sangue de cordão umbilical e até mesmo do tecido adiposo. Estas células são raras, se dividem muito pouco e possivelmente não se diferenciam em células de outros tecidos. O fato de que se dividem pouco e de que podem ser obtidas do próprio indivíduo, as tornam seguras para utilização em clínica, além de que o seu uso não envolve o tipo de questões éticas e legais que tem sido levantado para as células embrionárias. Por outro lado, não é possível obter um grande numero de células a partir de uma linhagem. É por causa destas características das células tronco adultas que elas têm sido utilizadas nos estudos clínicos que envolvem o uso dessas células.


Há várias questões envolvendo as células-tronco. Existe até um pouco de ceticismo de alguns. Até porque não há uma garantia de sucesso no transplante. O que certamente acarretaria processos legais. Se eu conhecesse alguém que estivesse em uma situação de depressão por ter perdido os movimentos em um acidente, estaria completamente a favor. Já se conhecesse alguém que tivesse perdido seu filho por aborto natural, ou por outra questão, certamente entenderia o fato de ela ficar meio ressentida em doar seus filhos para testes científicos. Há sempre de se olhar os dois lados na moeda.




                              Biocientista fala sobre células-tronco.
 



Resolvi postar sobre esse assunto pois é um assunto que creio ser bem coerente a nossa área. Por exemplo, ao nos depararmos com uma paciente que deseja realizar aborto. Ou um paciente que tenha sofrido um acidente severo. Como futuro psicólogo, tenho que pensar sempre em todos os tipos de casos! Certamente um dia irei me deparar com um caso que nao estarei apto a falar na primeira consulta. Quanto mais conhecimento a respeito da área humana, melhor! Pois estaremos sempre nos preparando para corresponder ao que é de nós esperado!

8 comentários:

  1. Apoiado! A verdade é que por causa da maldita culpabilização judaico-cristã, as pessoas se tornam ignorantes e não conseguem refletir sobre o assunto. Mesmo as pessoas mais abertas, opõem-se a estes tipos de práticas (mesmo que no fundo estejam de acordo) porque este sentimento de culpa da igreja já está impregnado na sociedade.

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  2. Se o aborto causa polêmica no mundo político, imagine dentro da religião. É algo realmente muito complicado porque envolve muitas vertentes sociais, políticas é religiosas. No dia em que o Papa apoiar o aborto o mundo já acabou. Mas não é fácil para uma adolescente de 16 anos, que não tem uma estrutura familiar e muito menos renda, sustentar um filho. E, no caso, sendo contra ou não essa adolescente irá optar pelo aborto.

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  3. Ricardo, eu realmente estou pasmo. Não esperava essa de você não.
    O fato de uma ação criminosa já ser praticada, não significa que ela deve ser legalizada. Se muitas pessoas são assassinadas (e realmente, todos os dias), e muitas pessoas agem, matando, como se isso fosse algo perfeitamente normal, não significa que o estado deve legalizar o homicídio. O mesmo para o tráfico de drogas, e para tantas coisas.
    Há países em quem o estupro não é crime, e isso é absurdo, e sempre será. Porém, muito pior do que o estupro é o ato de mães matarem criancinhas, seus filhos! Mães matando filhos, e indefesos, mas indefesos do que em qualquer outra época da vida.
    A CIÊNCIA já provou que a vida humana começa na fecundação. Ou seja, são seres humanos que estão nos ventres de suas mães, são vidas humanas. Negar isso é negar a ciência. Aborto é assassinato, sim. Em todos os casos. Analise a tua consciência. Cuidado com o que você apóia.

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  4. Eduardo é um cara radicalmente anticristão. É uma figura que perdeu todo o senso de humanidade para viver visceralmente uma ideologia materialista e atéia.

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  5. Eduardo deve achar uma delícia milhões de crianças sendo sacrificadas todos os dias.

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  6. Querido Chris, é melhor as 'criancinhas' morrerem ainda embrião (ou feto) do que nascer e viver sofrendo neste mundo cruel em nome de uma terra imaginária prometida... Aliás, pense bem, se a mãe decide matar é pq provavelmente ela nao tem condições ou nao quer cuidar da criança, e se ela n quer, vc acha que ela daria amor à criança? E eu não sou nenhum maníaco por aborto, me poupe né querido... mas é fato que em certas circunstâncias o aborto é o que tem que ser feito. sou apenas a favor de uma prática que já ocorre clandestinamente. E prefiro viver uma ideologia materialista, mas viver, do que ficar sonhando pra sempre...

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  7. Concordo completamente! Aliás, já tá escrito no post! Mas não custa enfatizar, né! Não digo que gosto, apenas que vejo como tendo utilidade. Apoiar não é, tal como disse Eduardo, "ser maníaco por aborto"!

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